23 de junho de 2011

É tudo mentira


           O mês de junho chegou e você ainda não passou. Desde outubro do ano passado, você não passou. E não passa. Nunca passa. Tudo passa, menos você.
Então sou obrigada a aceitar. Sou obrigada a dar uma de gente grande, gente madura, gente que sabe aceitar a dureza, a realidade das coisas. Mentalizo sempre: nada de choro, nada de morte, nada de loucura, menina. Nada de remédios pra dormir pra sempre, nada de pulsos cortados, mas não dá. Juro que não dá. Não sei aceitar a realidade das coisas. Não sei aceitar a dureza das coisas. Não sei aceitar nosso fim.
Até aceito que não era pra ser. Até aceito que você queria outra coisa… Mas o que eu não aceito é você ter saído assim da minha vida, você ter me esquecido tão rápido. E eu não entendo como posso ter mudado tanto, como você pode ter mudado tanto, como tudo pode ter mudado tanto. Não entendo, desculpe, não entendo. Não queria ser chata assim. Não queria insistir sabendo que não vai dar certo. Juro que não queria. Mas não dá pra desistir de você. Ainda não dá pra desistir de você.
E agora as pessoas medíocres me dizem que vai passar. Agora todo mundo quer dar uma de psicólogo, dizer que sabe como é tudo isso, que entende minha dor. Todo mundo quer sentar do meu lado, chorar, fingir que se importa. Todo mundo quer dizer que passa. Todo mundo quer dizer que é fase. E é mentira, é tudo mentira. Desde outubro passado eu sei disso muito bem, e essa pena que andam sentindo de mim me corrói. Esse jeitinho de me olhar, de balançar a cabeça, lamentar pela desgraça da minha vida… Essa hipocrisia à flor da pele, essa mania de falar tenha-calma-que-vai-melhorar é mentira. E a verdade é que por trás dessa compreensão tão bonita e dessa preocupação tão forçada, o que você e todo mundo quer fazer é mandar que eu esqueça tudo e vá com a minha dor pra lá, pra longe, pro inferno. Ninguém liga e o pior é que é com razão.
Eu sei que o que eu preciso mesmo é esquecer essa história que não aconteceu e começar a tentar andar pra frente. O que eu preciso mesmo é continuar vivendo, fingir que eu aceito, fingir que eu entendo. Mas desculpe, não posso. Juro que não posso. Não consigo ser fria, jogar, mentir. Desde quando você se foi eu só quero gritar e chorar e pedir pra que você volte e fique e veja o que dá pra fazer com a gente, por favor, porque eu não posso aguentar essa coisa toda sozinha. Depois de todo esse tempo, o que mais me faz falta é você. E não passa. Ando achando que você nunca gostou mesmo de mim, e dói tanto, tanto. Se todo mundo soubesse da força absurda que eu tenho feito pra não te ligar esses dias, diriam que eu sou a mulher mais forte do mundo. Mas ninguém sabe, ninguém entende, e desde outubro passado eu não quis mais ninguém.