13 de julho de 2011

Pretérito imperfeito

O que me mata é essa fragilidade. Essa coisa de ficar toda cheia de cortes, cheia de dores, cheia de manhas. Essa coisa de não saber mudar, se adaptar, se acostumar e finalmente aceitar que a decepção, a perda e a dor fazem parte da vida. Aceitar o fim.
Não sei me encaixar nesse grupo de pessoas que não ligam pros problemas. Eu ligo sim, choro sim, questiono sim. Acho a vida um absurdo. Os problemas um absurdo. Tudo um absurdo.
Não consigo pensar é normal sofrer e tudo bem. Eu persisto na mania de ver, me decepcionar e chorar depois de perceber que ninguém é bonzinho, limpinho, me ama e me quer bem. E odeio essa minha mania. Odeio minha sensibilidade depois das frustrações. Meu carma de não saber conviver. Minha doença de não saber lidar. Meu problema de não saber aceitar. Odeio. Não agüento mais esse ciclo vicioso. Lembrar cansa, pensar fere e esquecer é um martírio. Agora tudo dói, e dói como se fosse a primeira vez; Eu choro pela gente como se fosse a primeira vez também. Eu choro por tudo que nem cheguei a fazer pra que a gente desse certo. Eu choro porque é horrível saber que nunca vou te arranhar com as unhas que custei pra deixar crescer, tocar os seus ombros com o meu rosto ou sentir o cheiro do seu pescoço enquanto te abraço no portão de casa. Nunca vou sorrir pra você depois de uma briga, aquecer suas mãos num dia frio ou bagunçar seu cabelo. Nunca vou te ver, e você nunca vai me ver também. Nós nunca iremos almoçar juntos, nunca brigaremos por causa do comprimento da minha saia, nem por causa da garota linda que ficou te olhando do outro lado da rua. Eu nunca vou olhar no fundo dos seus olhos, dizer que eu te amo desde o ano passado e que eu sonhei milhares de coisas que nunca vão se realizar. Nunca. E embora eu saiba e engula isso tudo, não consigo aceitar e lidar com esse pretérito imperfeito. O que machuca mesmo são essas coisas bobas e apaixonadas de casais bobos e apaixonados que nunca vou ter. Machuca mais que o seu silêncio, seu sumiço, seu desapego. O que machuca mesmo é essa coisa tão linda e certa que tinha tudo pra dar acontecer, e não aconteceu. Não aconteceu.