6 de agosto de 2011

Indagações insensatas

O que eu fui pra você, afinal? A garotinha chata que pegava no seu pé? A menina estranha que você iludia? A maluca que te escrevia um milhão de textos sem nunca ter te visto? O que eu fui pra você, afinal? Absolutamente nada? Tanta coisa tem me ferido depois daquele dia de chuva em que eu te vi. Eu quero saber por que eu tinha que te ver. E porque você tinha que estar tão inteiro, tão lindo e tão perto de mim - pela primeira vez na vida - justamente quando estava te esquecendo. E porque, mas porquê eu tinha que ter agido feito louca? Fico lembrando-me: você parado na chuva e eu fugindo pra não ter que te encarar. Lembro de você rindo enquanto eu caía na lama. Lembro da chuva forte e seu rosto perfeito molhado. Lembro de ficar chorando feito idiota com a roupa molhada e suja. E depois lembro-me de você caminhando como se nada estivesse acontecendo e eu partida em milhões de cacos e pedaços no meio da chuva e da lama e das lágrimas. E o porquê martelando na cabeça. Se eu tivesse agido normalmente, se eu tivesse passado por você como se não fosse a garotinha apaixonada que sonhava em te ver, se eu tivesse virado a cara para não ter que te encarar, teria sido diferente? Eu iria me sentir melhor agora? Não sei, não sei de mais nada – eu digo pra mim. Eu não consigo processar a grandiosidade dos fatos. Eu fico indagando e indagando e indagando e só. E eu canso. E isso cansa. E eu já estou enjoada dessa minha vontade de correr pra janela e me jogar. Estou cansada de tudo tão leve e tão lindo por fora quando eu sei que tá feio e podre por dentro. Estou cansada de respirar fundo e tentar engolir os medos. Ninguém sabe que psicologicamente eu tenho umas mil cicatrizes. Ninguém sabe que apesar de tudo, eu não queria ter te visto. Ninguém sabe que eu preferiria um milhão de vezes ficar vivendo com essa interrogação gigante na testa de como seria ao invés de viver pensando que depois de quase um ano eu te vi e saí correndo feito uma louca. Não é a vergonha. Não é a dor. O problema todo não é chegar à conclusão que além de ser a garotinha chata que pegava no seu pé, a menina estranha que você iludia e a maluca que escrevia um milhão de textos pra você sem nunca ter te visto, a partir de agora e talvez para sempre eu vá ser a garota que… nada. Eu vou ser absolutamente nada. E ser nada pra você me rasga a alma. Eu preferia ser a idiota que você deixou pra trás. Eu preferia ser a louca que caiu na chuva. Eu preferia ser a menina que você sabe quem é, mas não lembra o nome… Até porque eu sempre fui nada pra todo mundo e nunca liguei muito. Mas pra você? Logo pra você que dizia me amar tanto? Ser nada pra você dói demais. Então eu finjo que sou só uma escritora que cometeu a gafe de se apaixonar pelo cara da internet que fugiu e a esqueceu sozinha com seus milhares de sonhos e planos e textos e nada. Agora ela é nada também.