10 de junho de 2012

Pra ninguém

O mundo é infinitamente mesquinho, minha amiga. As pessoas, em uma grande (e triste) maioria, são absurdamente egoístas. E não escrevo como uma mulher revoltada ou cansada, não pense isso de mim. Escrevo apenas como alguém que viu e viveu a situação por tempo demais pra fingir algum controle agora. Deixe-me explicar antes que tires conclusões precipitadas: ouço constantemente frases como “seja você mesma” e desde o nascimento passo pela mesma situação desagradável. Porque as pessoas não querem a companhia de alguém verdadeiramente sincero e sim de alguém legal (exatamente o tipo de gente que eu não suporto), que inspire confiança, paz, a merda que for: alguém comum. E a questão é que eu não sou nada disso, por muito tempo tentei e há muito desisti. Mas isso não me privou de continuar a sofrer (sem querer parecer dramática) porque boba, iludida com o entusiasmo de uma nova amizade (que gerava uma tristeza sufocante ao chegar a um fim) eu sempre pensava: finalmente encontrei alguém com quem poderei ser eu. E então me abria, exibia meus medos, minhas musicas, minha vida (como incentivavam) e via, semanas ou até mesmo dias depois a pessoa ir embora, dizendo que não, que eu nós não combinávamos, que não daríamos certo, ou não dizendo nada e me deixando assim, sozinha. E eu fico puta com isso. Fico abismada com a hipocrisia geral, com o costume da massa de gritar “seja você mesma” esperando que eu seja nada além de receptiva, ajustada, feliz. Porque sempre fui aquela que grita no silêncio, que fala o que pensa (incluindo o que não devia), que é chata o tempo todo e nunca vai entender completamente. Sempre fui aquela que não vê a menor graça nas coisas da mídia simplesmente por estarem na mídia e nunca escondi de ninguém ou tentei ser Outra Pessoa. E o que acaba com minha paciência é isso: saber que só querem ver meu Verdadeiro Eu se ele for o eu mais meigo e fofo e puro e lindo do mundo. É saber que nunca poderei ser Quem Sou porque todo mundo vai cair na minha pele. Saber que nunca gostarão de mim porque o mundo não gosta de pessoas estranhas e verdadeiras (infelizmente). E saber que eu estou escrevendo pra alguém que nem existe por que foi a única coisa que restou-me fazer.