23 de setembro de 2013

How to disappear completely




    Mais um texto sobre frustração. Sobre o probleminha que é ser o que se deve ser. Sobre os clichês que vem com o frio. Acho clichê escrever sobre clichês, mas fica difícil fazer algo diferente quando se vive o maior de todos os clichês que é a tristeza. Mas não se trata disso. Você não entende. Você nem se interessa, mas vem aqui. Estende essas mãos lisas, essa pele macia de gente que nunca sofreu com a vida. Vira pra mim esses olhos puros de quem poucas vezes derramou uma lágrima e pega, ó, aqui, ta vendo? Isso aqui, no meio do peito, consegue enxergar? Parece só um vazio (é como se sente no início), mas é muito pior do que isso que sua cabecinha encantada com a vida entende. Essa coisa enorme e obscura é minha dor. Essa aglomeração de coisas piegas. Vê como palpita? As vezes explode do nada, assim, em dias como esse e fico desse jeito que você ta vendo. Hoje foi um daqueles dias em que fiquei totalmente dentro de mim. Devaneei na chuva, Radiohead soando através dos fones de ouvido e só pensava no meu desamparo e, conseqüentemente, na constante incompreensão alheia. Na brutalidade de vir assim, sem mais nem menos, gerando uma dor a mais nessa comunidade que mora em meu corpo. Tocando nessas dores não por curiosidade ou pena, mas por puro prazer.
Quando fico triste, acabo me odiando ou odiando o mundo. Fiz os dois, e saí dessa experiência ainda mais arrasada. Não é fácil. Não quando você acha que se superou depois de umas semaninhas de paz e de repente é esmagada dessa forma, simplesmente porque choveu. Hoje culpei Tom Yorke. Culpei o trânsito angustiante das ruas. Culpei a vendedora de balas que sabe sorrir enquanto mantenho esses lábios rígidos feito duas linhas paralelas. Culpo o mundo mas não assumo. Não. Assumo. Boca fechada pro maior motivo. Baixinho pra ninguém ouvir: a culpa é minha.